Primavera.
Época em que ainda se vê pessoas agasalhadas pela rua. Casacos verdes, vermelhos, floridos, coloridos... Uma porção deles. O sol é ainda mais brilhante e o céu bem mais azul. As árvores iluminam as tardes com seus verdes intensos. Por mais que o barulho ensurdecedor dos carros furiosos andando pela rua tome conta do ambiente primaveril, é possível ouvir a alegre canção dos pássaros, seja sobre as árvores, ou mesmo sobre o telhado vizinho. Há também, o barulho dos passos incansáveis do atleta que corre pela calçada, e os passos cansados da pobre senhora que tenta atravessar a rua. O sol vai esquentando o dia, mas o frio da estação anterior ainda não passou. A poça d’água que a chuva deixou sobre o asfalto ofusca a visão e a sombra que o sol nunca alcançará, não ofusca, fazendo com que eu deixe de olhar para a poça e passe a observar a sombra que o guarda-chuva fechado deixou sobre o chão da cafeteria. Apesar de meus olhos estarem descansados de tanta cor e brilho, os meus ouvidos continuam a ouvir as buzinas dos automóveis, os freios das bicicletas, os passos corridos das pessoas atrasadas para o trabalho, o som da canção dos pássaros, o ruído de cortinas se abrindo, o rádio, a TV... E no meio disso tudo, estão elas, dando mais cor ao dia primaveril: as flores
Eu estava aqui em casa, olhando pro céu, deitada na cadeira do computador, com bob’s no cabelo. Tava calor e frio ao mesmo tempo, estranho. Olhei pra janela e achei melhor sair de casa. Fiquei lá embaixo, tomando solzinho, escrevendo esse texto. Eu estava com criatividade, mas não sei se ficou bom. Quando terminei de escrevê-lo, achei que faltava alguma coisa. Foi quando eu tive a idéia de fazer algumas perguntas depois do texto, perguntas sobre a primavera, para serem respondidas por pessoas diferentes umas das outras. São perguntas sem muita criatividade, mas o que eu espero são respostas criativas. Todas as “entrevistas” que eu já fiz, me matei em conseguir perguntas criativas, e as pessoas não foram tão criativas ao responder. Desta vez foi diferente. Como eu não sou nenhuma jornalista profissional, comecei perguntando para a minha entrevistada vip, minha mãe! É engraçado, mas eu prefiro começar assim.
O que a primavera te lembra?
Márcia: A primavera me faz lembrar a rua onde eu morava quando era pequena, com um monte de gente jogando bola no meio dela. A gente com mais ou menos onze anos de idade, correndo descalços pelo prédio... Quando penso em primavera, lembro disso antes mesmo de pensar em flores!
Quando você abre a janela, você gosta de observar as flores?
Márcia: Prefiro observar o céu... Talvez haja flores por lá.
Descreva o que é um dia primaveril para você.
Márcia: Um dia com um sol fraco, pessoas com roupas leves... Andar pelas ruas e reencontrar-se com antigas pessoas da minha infância. À noitinha, ver pessoas sentadas em barzinhos falando do seu dia-a-dia... Um ventinho frio.
Na sua opinião, como será a primavera futuramente?
Márcia: Na minha opinião, as quatro estações já não existem mais como antigamente, devido aos problemas ambientais. No futuro, talvez não exista mais a primavera. Pode ser que haja a vizinhavera, a mãevera, a irmãvera... Mas primavera não!
Logo em seguida, fiz as mesmas perguntas a uma amiga, que eu tinha certeza de que teria respostas criativas.
O que a primavera te lembra?
Juliana: Aquelas noites meio frias, meio quentes. Luzes amarelas iluminando as pessoas que andam devagar pelas ruas cheias de poças. Resto de chuva, folhas secas grudadas no meio fio. Flores desabrochando em meio à multidão.
Quando você abre a janela, você gosta de observar as flores?
Juliana: Hoje em dia, são as raras vezes que encontramos uma flor, seja na primavera ou não. Na maioria das vezes que abro a janela, eu fecho meus olhos. E sinto o ar. O cheiro do trânsito, do sal da praia, o cheiro de cimento da construção lá embaixo. Paisagem pra mim é sinônimo de tédio.
Descreva o que é um dia primaveril para você. Juliana: O botão indicando térreo do elevador, piscando; aquele sol forte, logo de manhãzinha; são seis e quarenta. As árvores lotadas, molhadas da chuva da madrugada; a brisa gelada bate, enquanto ninguém a sente; as pessoas se esquecem de sentir o aroma da primavera, porque o tempo é curto; elas andam atrasadas, enquanto as árvores exalam PRIMAVERA. Eu sinto; eu sorrio enquanto o Sol aquece meu cabelo e o vento bate de leve no meu rosto. As flores amarelas balançam, as vermelhas caem no chão e as azuis não existem.
Na sua opinião, como será a primavera futuramente?
Juliana: O tempo pode passar e destruir a primavera, pra mim será sempre aquela lembrança de finalzinho de inverno, e flores enchendo as árvores e casas por aí.
sábado, 25 de outubro de 2008
Cleiton- A dose do dia.

Sábado. Começado o horário de verão.
''qual vai ser a boa, hoje hein?''
-Hahahaha! ''dia de ver o cleiton-zinho, claro''.
-''Pera, hoje é sábado. O dia de ver ele é sexta''
hum, verdade.
caminhamos um tantão. Passamos pelo caminho que ele faz pra ir na academia, ou pra voltar pra lojas de cd.
Tá.
Chegamos, na hora de atravessar. Pára.
Foi uma remexida de ombros, uma parada respirátoria momentanea.
-''Ahhh! tá lá, é ele! Oh não, aquela lá? Isso, é a mulher dele sim.''
-'' Oún, ele tá com roupa de ginástica, ah mais ela é tão sem graça''.
Vamos seguir, lógico.
Corre. Corre mais rápido.
-''não aguento''.
Não dava pra correr mais, tava muito na cara.
-''aqui que é a rua do ex lá... hahahaahaha!''
-''sério, não, corre, ele atravessou! corre!''.
Oún, ele olha pros dois lados pra atravessar a rua.
Isso não é demais?
Um namoro acaba, né?
''-chega''.
Sábado.
A menor dose de Cleiton do dia, mais que adocicou o sábado.
''Agente só aceita, se for só nosso. Agente reparte certinho, tá?''.
''qual vai ser a boa, hoje hein?''
-Hahahaha! ''dia de ver o cleiton-zinho, claro''.
-''Pera, hoje é sábado. O dia de ver ele é sexta''
hum, verdade.
caminhamos um tantão. Passamos pelo caminho que ele faz pra ir na academia, ou pra voltar pra lojas de cd.
Tá.
Chegamos, na hora de atravessar. Pára.
Foi uma remexida de ombros, uma parada respirátoria momentanea.
-''Ahhh! tá lá, é ele! Oh não, aquela lá? Isso, é a mulher dele sim.''
-'' Oún, ele tá com roupa de ginástica, ah mais ela é tão sem graça''.
Vamos seguir, lógico.
Corre. Corre mais rápido.
-''não aguento''.
Não dava pra correr mais, tava muito na cara.
-''aqui que é a rua do ex lá... hahahaahaha!''
-''sério, não, corre, ele atravessou! corre!''.
Oún, ele olha pros dois lados pra atravessar a rua.
Isso não é demais?
Um namoro acaba, né?
''-chega''.
Sábado.
A menor dose de Cleiton do dia, mais que adocicou o sábado.
''Agente só aceita, se for só nosso. Agente reparte certinho, tá?''.
(fina)
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Aniversários em branco e preto.
Trimmmmmm!
Disparou o relógio.
Hora de acordar, são seis e quarenta.
Levantou, calçou as botas, comeu uma torrada, fechou o zíper da calça.
Escovou os dentes e foi pra sua rotina, que talvez, depois daquele dia
Passasse a ser diferente pra ela.
Ela acabara de completar seus dezoito anos.
( tão esperados) dezoito.
Anos de sua então, finalmente:
LIBERDADE! Ou não.
(fina)
Disparou o relógio.
Hora de acordar, são seis e quarenta.
Levantou, calçou as botas, comeu uma torrada, fechou o zíper da calça.
Escovou os dentes e foi pra sua rotina, que talvez, depois daquele dia
Passasse a ser diferente pra ela.
Ela acabara de completar seus dezoito anos.
( tão esperados) dezoito.
Anos de sua então, finalmente:
LIBERDADE! Ou não.
(fina)
terça-feira, 7 de outubro de 2008
blábláblá
Colocando suas botinas cor-de-laranja fluorescente, imaginando colocar sapatos de um verdadeiro piloto de avião, sonhava em trocar seu cabelo enrolado multi-colorido por um chapéu e um oculos escuro, charmoso.
Abrindo um estojo largo e comprido cheio de cores de sombra, pó compacto, blush, blá blá blá, querendo que fosse um imenso painel de controle. Aqueles mesmo, cheio de botoes vermelhos, misteriosos, piscantes.
Segurando o pincel delineador de sombrancelhas, perto da boca: ''aqui quem fala é o comandante Marcelo Neves #003 - repetindo- desejando vos uma otima viajem, segurança e conforto. Hoje o tempo está limpo, um pouco cinza, mais teremos uma bela decolagem. Obrigada por escolherem nossa companhia aerea".
(pausa)
(suspiro)
Por ultimo, o nariz vermelho, rendondo - sem graça-.
Olhou-se no espelho, um ultimo retoque nos lábios.
Pegou o casaco, verificou as luzes e saiu voando.
De vez pegar o onibus 67, que ia direto pro circo, pegou o 43- destino aeroporto.
No aeroporto, pessoas apressadas, pessoas anonimas, pessoas e pessoas.
O delicioso barulho dos motores, soavam como música para ele.
Aquele homem, colorido, maquiado, admirando o céu com aqueles enoormes pássaros motorizados. vrummm vrummmmmmmm.
Os olhos brilharam, as mãos começavam a suar, a maquiagem a borrar.
Quando um homem, alto, penteado, brilhando, o cutucou de leve.
''Senhor?'' disse.
''erg..eu?'' respondeu meio confuso com a situação.
"Vou ser sincero, você realmente me chamou atenção, não pela sua roupa, mais pela sua admiração, pela sua sensibilidade vendo os aviões decolando, coisa simples para muitos aqui.''
contou seguido de um sorriso, limpo e claro.
''É, tirei um dia de folga. Só isso'' timido e curto.
''Prazer, sou o piloto de um daquelas belezas.'' - apontou para um dos aviões pousados.
E queria te mostrar ele todo, achei o senhor bem interessado. Topa?''
Foi quando o sorriso saiu, finalmente. Os olhos brilharam tanto, que precisava de um oculos para não cegar quem o visse.
''Isso não o atrapalharia? quer dizer..você deve ser um homem bem ocupado. Ah! Topo!'' riu.
(caminharam até o avião)
''Então aqui, nesse botão serve pra pouso de emergencia, aqui para a descida, aqui para aceleração...''
As palavras começavam a embaralhar. Os botôes ofuscavam a vista.
Eram cansativas, tediosas até.
Eram muitos detalhes. Muitas horas. Era tudo muito complexo.
Os acentos eram chatos e sem graça.
A altura lhe causava nauseas.
Eis a decepção.
A vontade era de não voltar mais.
O sorriso já desaparecera de seu rosto.
Então, visualizou o circo, a rotina e suas roupas cheia de gliter, lantejoulas, canutilhos dourados cheio de vida, de alegria, esperança e vontade.
Desde então, vive por aí, viajando pelas cidadezinhas, o mais querido palhaço de todos.
(fina)
Abrindo um estojo largo e comprido cheio de cores de sombra, pó compacto, blush, blá blá blá, querendo que fosse um imenso painel de controle. Aqueles mesmo, cheio de botoes vermelhos, misteriosos, piscantes.
Segurando o pincel delineador de sombrancelhas, perto da boca: ''aqui quem fala é o comandante Marcelo Neves #003 - repetindo- desejando vos uma otima viajem, segurança e conforto. Hoje o tempo está limpo, um pouco cinza, mais teremos uma bela decolagem. Obrigada por escolherem nossa companhia aerea".
(pausa)
(suspiro)
Por ultimo, o nariz vermelho, rendondo - sem graça-.
Olhou-se no espelho, um ultimo retoque nos lábios.
Pegou o casaco, verificou as luzes e saiu voando.
De vez pegar o onibus 67, que ia direto pro circo, pegou o 43- destino aeroporto.
No aeroporto, pessoas apressadas, pessoas anonimas, pessoas e pessoas.
O delicioso barulho dos motores, soavam como música para ele.
Aquele homem, colorido, maquiado, admirando o céu com aqueles enoormes pássaros motorizados. vrummm vrummmmmmmm.
Os olhos brilharam, as mãos começavam a suar, a maquiagem a borrar.
Quando um homem, alto, penteado, brilhando, o cutucou de leve.
''Senhor?'' disse.
''erg..eu?'' respondeu meio confuso com a situação.
"Vou ser sincero, você realmente me chamou atenção, não pela sua roupa, mais pela sua admiração, pela sua sensibilidade vendo os aviões decolando, coisa simples para muitos aqui.''
contou seguido de um sorriso, limpo e claro.
''É, tirei um dia de folga. Só isso'' timido e curto.
''Prazer, sou o piloto de um daquelas belezas.'' - apontou para um dos aviões pousados.
E queria te mostrar ele todo, achei o senhor bem interessado. Topa?''
Foi quando o sorriso saiu, finalmente. Os olhos brilharam tanto, que precisava de um oculos para não cegar quem o visse.
''Isso não o atrapalharia? quer dizer..você deve ser um homem bem ocupado. Ah! Topo!'' riu.
(caminharam até o avião)
''Então aqui, nesse botão serve pra pouso de emergencia, aqui para a descida, aqui para aceleração...''
As palavras começavam a embaralhar. Os botôes ofuscavam a vista.
Eram cansativas, tediosas até.
Eram muitos detalhes. Muitas horas. Era tudo muito complexo.
Os acentos eram chatos e sem graça.
A altura lhe causava nauseas.
Eis a decepção.
A vontade era de não voltar mais.
O sorriso já desaparecera de seu rosto.
Então, visualizou o circo, a rotina e suas roupas cheia de gliter, lantejoulas, canutilhos dourados cheio de vida, de alegria, esperança e vontade.
Desde então, vive por aí, viajando pelas cidadezinhas, o mais querido palhaço de todos.
(fina)
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