Joyce é uma menina de 14 anos que saiu da tranqüilidade de Rio Branco, no Acre, e veio passar um tempo em Santos, na casa de sua tia, a fins estudantis. É diferente ter alguém da outra ponta do país na sua classe, mas muitas pessoas não levam por esse lado. Diante das várias brincadeiras de mau gosto que os alunos passaram a fazer sobre ela, escondia-se alguém como qualquer outra pessoa, querendo voltar para casa para rever sua família.
São Paulo e Acre são dois estados muito diferentes, obviamente. O que você ainda não se habituou a fazer aqui?
J.: Esse horário de verão ta me confundindo completamente... Demorei pra me acostumar com o horário daqui e, de repente, muda novamente. Ta sendo mais difícil acordar bem mais cedo do que eu costumava acordar lá.
Além da sua família, do que você sente falta?
J.: Das festas que minha mãe fazia lá em casa, quase todos os finais de semana. A gente chamava alguns parentes e amigos, fazíamos comida boa e ouvíamos as músicas que a gente gosta. Aqui eu não faço mais isso... Sinto falta.
Do que você menos gostou ou ficou assustada quando viu aqui em Santos?
J.: Aqui há muito mais carros, ônibus, motos, do que lá. Às vezes o barulho das buzinas me irrita. E na minha antiga escola ninguém falava um palavrão sequer, mas não por não poder e sim por não estar acostumado a falar. Na escola daqui, se um aluno esbarrar no outro sem querer na escadaria já se ouve três palavrões de uma vez!
Do que você mais gostou de Santos?
J.: Eu gostei da praia! Eu nunca tinha visto o mar e quando o vi pela primeira vez a única coisa que tive vontade de fazer foi passar a minha vida inteira mergulhando nele!
Você sente muita saudade da sua família lá em Rio Branco... Se você tivesse que escolher entre voltar para lá ou vir morar aqui com a sua família, o que você escolheria?
J.: Eu preferiria trazê-los para cá, sem dúvida. Eu gosto muito do Acre, mas aqui há muito mais oportunidade de emprego... Aqui qualquer pessoa faz algum curso, faculdade... É bem melhor.
Ainda há algum lugar que você gostaria de conhecer aqui em Santos?
J.: O horto... Dizem que é muito bonito. E eu nunca fui no Mc Donald’s, coisa que para vocês é bem normal. Eu também gostaria de ir lá, qualquer dia.
E no mundo? Que lugar você gostaria de conhecer?
J.: A Inglaterra! Mas antes eu tenho que aprender inglês e ter muito dinheiro... Mas calma, uma coisa de cada vez! Se eu já sinto saudades dos meus familiares, morando aqui em Santos, imagine se eu for pra Inglaterra! Oh... Não, por enquanto não!
Você pretende voltar para o Acre ou vai esperar seus familiares aqui em Santos?
J.: Eu volto no ano que vem... Não dá, não consigo viver longe deles...
“Ah... Eu não posso falar muito na minha família lá no Acre... Eu já fico com lágrimas nos olhos... Saudade é ruim”, diz Joyce, finalizando.
Por Mariany Bittencourt.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
A rotina incansável... Ou seria cansada?
Dia-a-dia. Acordar cedo, tomar um café corrido, vestir a mesma roupa de sempre, correr para não perder o ônibus, passar um longo período do dia fazendo algo que você não gosta e que não lhe da a mínima vontade de seguir em frente. Depois, voltar para casa num ônibus lotado, cheio de gente fedendo, com fome, estressada. Trânsito, crianças chorando, gente gritando, música de má qualidade tocando na padaria... Chegar em casa, comer alguma coisa e arrumar tudo para o dia seguinte, que será a mesma coisa.
Nem sempre a rotina de uma pessoa é tão estressante quanto a essa, mas a maioria dos trabalhadores sofre de stress por causa disso. Muitas vezes, as coisas que uma pessoa faz, são exatamente iguais todos os dias. As donas de casa, por exemplo, lavam, passam, cozinham, muitas delas cuidam dos filhos, estudam... Algumas nem trabalham, mas sua rotina as cansa completamente.
Muitas pessoas trabalham no que trabalham por que não tiveram opção, ou será que não gostam do seu dia-a-dia por não terem se esforçado lá atrás?
A vida não é fácil, não mesmo. Mas ela seria muito mais fácil se as pessoas se esforçassem para ter a vida que sempre quis. Nada é impossível, basta correr atrás do que você realmente quer. Eu quero ser jornalista e fazer faculdade fora do Brasil. Vocês acham que alguém da minha família me apóia?
“Você está louca! Morar na Argentina? Você nunca foi pra lá. Como você vai se sustentar sozinha? Teu pai não pode te manter fora do país, num apartamento. E o aluguel, a conta de luz, o telefone...”
Isso não me anima. Eu sei que minha mãe pode estar um pouco certa sobre isso, mas se eu não correr atrás do que eu quero, eu não vou conseguir nunca. Não quero fazer uma faculdade em São Paulo e morar numa república de estudantes, pra depois me formar e voltar para Santos e trabalhar como qualquer coisa num jornal qualquer, sem vontade. Até lá eu vou ser maior de idade e ninguém vai controlar o que eu devo ou não fazer. Posso passar fome, posso não ter onde morar, mas em casa eu não fico depois dos dezoito. Conheço pessoas que conseguiram o que queriam porque lutaram por isso e sofreram até conseguir, sem desistir no meio do caminho. As pessoas trabalham em qualquer coisa só pra garantir o aluguel, a conta de luz, de água, de telefone, a comida, a vestimenta... As pessoas optam pela forma mais fácil. Fazem um concurso público, passam e ganham dinheiro. Às vezes eu acho que a vida é muito fácil e que são as pessoas que fazem com que ela seja difícil.
Portanto, se você quer dar a volta ao mundo, dê. Você vai sofrer, não vai ser fácil, mas qual é o problema disso se no final, se você realmente se esforçar, você vai conseguir o que tanto quer? Tem gente que sonha em ser músico e desiste porque acha que tocar um instrumento é muito difícil. Sim, tudo na vida é difícil, mas se você não persistir até o fim, nunca vai conseguir nada.
Não desista do que você sonha. Não se torne mais uma cara emburrada no meio da multidão de um ônibus.
Nem sempre a rotina de uma pessoa é tão estressante quanto a essa, mas a maioria dos trabalhadores sofre de stress por causa disso. Muitas vezes, as coisas que uma pessoa faz, são exatamente iguais todos os dias. As donas de casa, por exemplo, lavam, passam, cozinham, muitas delas cuidam dos filhos, estudam... Algumas nem trabalham, mas sua rotina as cansa completamente.
Muitas pessoas trabalham no que trabalham por que não tiveram opção, ou será que não gostam do seu dia-a-dia por não terem se esforçado lá atrás?
A vida não é fácil, não mesmo. Mas ela seria muito mais fácil se as pessoas se esforçassem para ter a vida que sempre quis. Nada é impossível, basta correr atrás do que você realmente quer. Eu quero ser jornalista e fazer faculdade fora do Brasil. Vocês acham que alguém da minha família me apóia?
“Você está louca! Morar na Argentina? Você nunca foi pra lá. Como você vai se sustentar sozinha? Teu pai não pode te manter fora do país, num apartamento. E o aluguel, a conta de luz, o telefone...”
Isso não me anima. Eu sei que minha mãe pode estar um pouco certa sobre isso, mas se eu não correr atrás do que eu quero, eu não vou conseguir nunca. Não quero fazer uma faculdade em São Paulo e morar numa república de estudantes, pra depois me formar e voltar para Santos e trabalhar como qualquer coisa num jornal qualquer, sem vontade. Até lá eu vou ser maior de idade e ninguém vai controlar o que eu devo ou não fazer. Posso passar fome, posso não ter onde morar, mas em casa eu não fico depois dos dezoito. Conheço pessoas que conseguiram o que queriam porque lutaram por isso e sofreram até conseguir, sem desistir no meio do caminho. As pessoas trabalham em qualquer coisa só pra garantir o aluguel, a conta de luz, de água, de telefone, a comida, a vestimenta... As pessoas optam pela forma mais fácil. Fazem um concurso público, passam e ganham dinheiro. Às vezes eu acho que a vida é muito fácil e que são as pessoas que fazem com que ela seja difícil.
Portanto, se você quer dar a volta ao mundo, dê. Você vai sofrer, não vai ser fácil, mas qual é o problema disso se no final, se você realmente se esforçar, você vai conseguir o que tanto quer? Tem gente que sonha em ser músico e desiste porque acha que tocar um instrumento é muito difícil. Sim, tudo na vida é difícil, mas se você não persistir até o fim, nunca vai conseguir nada.
Não desista do que você sonha. Não se torne mais uma cara emburrada no meio da multidão de um ônibus.
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