terça-feira, 25 de agosto de 2009


Deitada sob a luz vermelha, meia noite de uma quarta-feira, com frio nos pés sem meia, ela sonha em oder acordar, tomar um café bem forte e amargo, fumar seu último cigarro, sair de cachecol e sentir a fumacinha do frio saindo pelas suas palavras, vendo que realmente o tempo está gelado, caminhar com o Sol batendo em seu rosto e se alegrar que a manhã é tudo que ela quer. Pegar um ônibus vazio, carregando seus livros com cheiro de passado e por alguns segundos fechar os olhos através de suas lentes de grau e ver que tudo isso a torna a pessoa mais feliz e única, que torna as coisas mais simples do mundo, na maior felicidade, mais unicamente e simplesmente ela vai acordar, apressada com sono e cheia daquele frio que a fez tirá-la da cama para ter que ir pra sua rotina diária.

O único sonho dela, era transformar tudo isso em uma grande mágia de uma vida fantasiosa, em uma realidade em que sempre irá enfrentar.



(fina)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Jorge.


Às quartas, estava lá, com seu uniforme de trabalho,calça azul e uma camiseta de algodão verde-petróleo, uma botina preta de cadarços corretamente cruzados, laço perfeito. No crachá anunciava seu nome e sua posição de serviço : Jorge Douglas , limpeza das jaulas. Era ótimo nisso, se empenhava ao máximo para cumprir em perfeita ordem seu trabalho. Começava pontuamente, as nove e quarente cinco da manhã , no zoologico municipal de cachoeira do sul. Por mais que a rotina de Jorge fosse cansável, ele nunca faltara no serviço, tinha orgulho de sua profissão. Recebia os visitantes sempre com um grande sorriso no rosto e com baldes e esponjas nas mãos.

Era um rapaz comum, com uma vida aparentemente comum, mais havia um detalhe só que o diferenciava da grande parte da sociedade, Jorge não acreditava em Deus. Em seu aniversário de doze anos, Jorge presenciou a pior cena de sua vida : A morte de seus pais, sua mãe, sempre se sentia infeliz e resolveu terminar sua vida, na sala de jantar de sua casa, inconformado e carregado por tanta tristeza, seu pai resolveu fazer o mesmo. Jorge, ainda com o chapéu de festa na cabeça, ali estarrecido e privado de emoções , pensou consigo mesmo que se Deus, o homem bom e puro que ajudava tantas pessoas, porque nao fez o mesmo com seus pais? Por que os deixou fazerem aquilo? Sobrecarregado da raiva na ausência de Deus naquele momento, passou a desacreditar que havia uma força divina dos céus. E não havia motivo algum que o fizesse mudar de ideia.

Em uma sexta-feira, em sua folga, resolveu ir passear no zoologico, como visitante. Observava os animais e todas as pessoas que por ali passavam, fotografavam e se divertiam com o lugar. Iria ser um dia que por um motivo ia mudar a vida de Jorge. Sentou em um banco e continuou a observar, quando viu uma pequena fresta de luz saindo no meio das plantas, curioso, levantou para olhar mais perto. Uma voz forte começou a chama-lo, meio assustado começou a se aproximar. Era um homem grisalho, sentado, vestindo uma blusa branca e uma calça azul-marinho, usava óculos e tinha uma barba rala.

- Jorge, jorge...finalmente nos encontramos, Jorge! Como está ? Um dia lindo em plena sexta-feira!

Jorge espantadissimo, ficou calado por alguns segundos e virou a cabeça:

- Er..e..u te conheço ?

- Você, nao me conhece, aliás conhece sim, mais não creres em mim.

Paralisado por suas palavras, lembrou na única coisa que não acreditava: Deus!

-Quem é você?

- Sou Deus, Jorge, aquele que você jurou nunca acreditar, e agora está aqui na sua frente, em cores.

Nunca tivemos a oportunidade de nos encontramos, e hoje eu vim até aqui esclarecer os fatos.

Sua mãe, tinha uma vida feliz, não havia riqueza nem grandes poderes materias, mais era casada com um ótimo homem, que era seu pai, tinha um filho perfeitinho, prestativo e que a amava acima de todas as coisas. O'que mais importaria? Nada, mais sua mãe nao deu o devido valor, não reparava em tudo que tinha.

Veja bem, não quero dizer que sua mãe mereceu morrer, mais foi uma escolha dela, uma escolha egoísta , e mais uma vez só pensou em si. Eu tentei mostra-lá que não havia motivos para isso, várias vezes. Evitei ao máximo que pude . Cada um escolhe o caminho que quer seguir, e esse foi o dela. E seu pai, pobre homem, escolheu viver ao lado dela para sempre.

Emocionado ao lembrar da mãe, Jorge começou a chorar, e seguiu ouvindo em silêncio.

- Realmente, espero que tente me entender , nao posso obriga-lo a não ter raiva de mim, e também não posso amenizar sua dor. Só posso dizer a você, que sou orgulhoso por admirar e gostar tanto da sua vida. Você escolheu o lado certo para se viver. Obrigado.

Sem dizer uma única palavra , Jorge abaixou a cabeça, em sinal de arrependimento. E em sua frente não havia mais ninguem.


Passaram-se anos e mais anos, e Jorge realmente compreendeu que Deus a patir daquele momento ,passou a fazer parte em cada detalhe de sua vida. E que Deus não é um homem, não é uma força superior e sim, as decições da vida de cada um.