sexta-feira, 11 de julho de 2008

Sob a janela.


Sob janelas, sobre o muro. All stars, revistas de desenho japonês, lápis, borrachas... Tempo nublado, ventinho frio. Paz, sossego e folhas em branco.
São poucos os ônibus que por aqui passam. Da janela acima se ouve o vizinho cantar desafinado. Na frente do prédio, técnicos conversam sobre a TV quebrada. Na garagem, meninos jogam futebol e meninas utilizam os espaços para brincar de casinha.
Jornais jogados pelo salão de festas... Um velhinho de boné acaba de entrar e está conversando com o porteiro.
E agora, sentei-me embaixo de uma árvore e comecei a desenhar. Desenhei pessoas e mais pessoas. Adoro desenhar pessoas.
O céu está escurecendo e eu preciso subir para o apartamento de meus avós. Subo o elevador; o mesmo elevador de sempre, nada mudou dentro dele. Aperto o nono andar e aguardo. Caminho pelo corredor em direção ao apartamento noventa e sete e giro a maçaneta. Não há ninguém na cozinha. Na sala, vovó assiste à novela encolhida em um cobertor. No quarto, entre partituras, palhetas e notas musicais, está vovô, tocando seu velho violão.
Vou para a cozinha buscar biscoitos de goiabada e café; depois me junto à vovó. Encolho-me no cobertor junto com ela e deito sobre seu ombro. Ela abaixa a TV e começa a contar histórias de quando era mais nova. Logo depois, vovô sai do quarto e senta-se no outro sofá, com seu violão, obviamente. Obviamente, porque ele nunca o larga. Quase nunca.
- O café está na cozinha, Mauro. – diz ela, olhando para a TV.
A novela acaba e ela vai para a cozinha preparar um bolo. Eu fico na sala ouvindo meu avô tocar músicas e mais músicas, sozinho em seu mundo de notas musicais.
Não demora muito para vovó voltar para a sala e ligar o DVD. Logo começa o famoso “Fun in Acapulco”, do Elvis. Meu avô acompanha cada música que toca e vovó cantarola em meus ouvidos, as mesmas canções do filme.
Com o tempo vou adormecendo e só acordo quando ouço sua voz, gritando lá da cozinha:
- O bolo está pronto!

Texto para meus queridos avós, sempre presentes querendo o meu bem.
(texto por manie, foto por fina)

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